E no decorrer de uma longa e amarga semana, me lembro da boca que tão loucamente beijei, sem esperar um leve e claro não, sem total inspiração. por que por mais que tenhamos consciência do fim e que esse fim não satisfaça a nós dois, temos medo de tentar e nos perdemos em desculpas para não machucar, para não me machucar, para não se machucar e se machucar for relativo? Se a cada vez que eu me despedia de você eu me machucava, sangrava invisivelmente, sem saber e esses meus amores não passam apenas de um sonho, daquela ilusão que eu brincava e retrucava em outros desenganos, noutros tempos, nos tempos de menina. Quando se podia brincar com os sentimentos, pois os sentimentos não eram o tudo para mim, mas nem tudo funciona assim. Aqui estou após uma longa e amarga semana, em que meu espelho é a única testemunha ocular dos caquinhos contidos em mim. A refletir de como o que é eterno é ameno, somente o que é intenso é passageiro, mergulhei meses atrás numa torrente deliciosa de emoções até desaguar num oceano frio e gélido a deriva no mundo, para que eu novamente navegue por outros percursos, até quem sabe um dia me perder em outras águas agitadas perdida em outros fluídos.
P.S: Assim como as flores secam, a torrente se esvazia.
No DoceFúria de A.
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